Como definir um resultado-chave mensurável quando você não tem dado nenhum

Por Érico Rodrigues6 min de leitura
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Quando não existe valor de partida, a primeira tarefa do trimestre é descobri-lo, e isso é trabalho legítimo, não fracasso. As quatro saídas que funcionam: medir por duas semanas antes de fixar a meta, usar um substituto mais fácil de coletar, contar eventos em vez de calcular índice, ou perguntar às pessoas com uma pergunta fixa.

Por que não dá para escrever a meta sem a partida?

Porque sem o ponto de saída você não tem progresso, tem apenas chegou ou não chegou. Na semana 6, quando alguém perguntar como está, a resposta possível é "ainda não chegamos", que é exatamente a informação que não ajuda ninguém a decidir nada.

E há um efeito pior, que é a meta sair do nada. "Elevar o NPS para 60" sem saber se hoje ele é 20 ou 55 é um número inventado, e o time percebe isso. A partir do momento em que o time acha que a meta é arbitrária, ela para de orientar comportamento.

Saída 1: meça duas semanas antes de fixar a meta

É a mais honesta e a que quase ninguém usa, porque parece perda de tempo. Escreva o resultado-chave com a partida em branco, comece a medir, e preencha a meta na semana 3. O ciclo perde duas semanas de perseguição e ganha treze de número confiável.

Vale combinar isso em voz alta na reunião de definição: "este resultado-chave fica com a meta em aberto até a semana 3". Sem dizer, alguém vai achar que ficou esquecido, e na semana 6 a conversa vira sobre por que não tem número em vez de sobre o número.

Saída 2: use o substituto que já existe

O indicador perfeito costuma ser caro de coletar, e um indicador razoável que já existe costuma dar noventa por cento da informação. Trocar um pelo outro é quase sempre a decisão certa no primeiro ciclo.

O que você queria medirO que já existe e serve
Satisfação real do clienteNota do chamado, que já é coletada
Produtividade do timeTarefas concluídas por semana, do quadro que já existe
Qualidade do atendimentoTaxa de reabertura de chamado
Saúde do funilNúmero de propostas enviadas, que o CRM já tem
Engajamento do timeParticipação na reunião semanal
Eficiência do processoTempo entre a primeira e a última etapa
O ideal e o que serve

A coluna da direita é sempre imperfeita, e é medível hoje. Um número imperfeito que o time olha toda semana move mais coisa que um número perfeito que ninguém coleta.

Saída 3: conte eventos em vez de calcular índice

Índice exige denominador, e denominador é o que costuma faltar. Contagem simples quase sempre está disponível e resolve o primeiro ciclo.

  • Em vez de "índice de retrabalho", conte quantas vezes por semana algo precisou ser refeito
  • Em vez de "taxa de erro", conte quantos erros chegaram ao cliente
  • Em vez de "percentual de aderência", conte quantos casos saíram do padrão
  • Em vez de "eficiência da reunião", conte quantas decisões saíram com dono e prazo

A marcação precisa ser barata para quem executa: um risco num papel, um clique, uma linha numa planilha compartilhada. Se custar mais de dez segundos, ela para na segunda semana e você fica sem nada.

Saída 4: pergunte, com pergunta fixa

Dado qualitativo vira série temporal desde que a pergunta não mude. Uma pergunta única, com escala de 0 a 10, repetida toda quinzena para as mesmas pessoas, produz um número acompanhável em duas semanas.

A regra que faz isso funcionar é não mexer na pergunta. No momento em que alguém "melhora" o texto, a série anterior deixa de ser comparável, e você volta a não ter histórico.

Resultado-chave no Orzon com valor de partida, valor atual e meta
Partida, atual e meta lado a lado. É a ausência do primeiro que impede medir progresso

O que não funciona

O atalhoPor que falha
"Implantar a medição do indicador X"É iniciativa. Entrega o sistema e o número não muda
Meta sem partida, tipo "chegar a 60"Na semana 6 a única resposta possível é "ainda não"
Estimar a partida de cabeçaO time sabe que é chute, e a meta perde autoridade
Adiar o resultado-chave para o próximo cicloO dado continua não existindo em abril
Os três atalhos que parecem resolver e não resolvem

O último é o mais comum e o mais caro. Adiar porque falta dado garante que no trimestre seguinte vai faltar de novo, porque ninguém foi encarregado de criar o dado. Se você não vai medir agora, assuma que aquele indicador não existe no vocabulário da empresa.

O procedimento, em ordem

  1. Liste os resultados-chave sem valor de partida. Costumam ser metade no primeiro ciclo.
  2. Para cada um, pergunte se existe substituto já coletado. Se existir, troque e siga.
  3. Se não existir, pergunte se dá para CONTAR alguma coisa em vez de calcular.
  4. Se der, defina quem marca, onde e em quanto tempo. Menos de dez segundos por marcação.
  5. Se não der, escreva o resultado-chave com meta em aberto e combine a semana 3 como prazo.
  6. Se nem isso, o indicador não cabe neste ciclo. Escolha outro e seja explícito sobre o motivo.

Perguntas frequentes

Posso usar uma estimativa como valor de partida?
Pode, desde que esteja declarado como estimativa e que a coleta real comece junto. O problema não é o número ser aproximado: é ele ser apresentado como se fosse medido, porque aí a comparação da semana 13 fica inválida e ninguém lembra o porquê.
Quanto tempo de histórico preciso antes de escrever a meta?
Duas semanas resolvem para indicador de ritmo semanal, como chamados, entregas ou propostas. Para indicador mensal, como churn ou margem, você precisa de dois ou três meses, e nesse caso o primeiro ciclo é de medição mesmo. Não há atalho honesto.
E se o dado existe mas está errado?
Isso é mais comum que a ausência, e a saída é a mesma: escolha um substituto confiável ou uma contagem, e trate a correção do dado como iniciativa. Perseguir meta em cima de número que ninguém confia gasta o trimestre em discussão sobre a fonte.
Todo resultado-chave precisa de número?
Precisa, e é o que o separa de um objetivo. O que pode variar é a natureza do número: contagem, percentual, tempo, nota de escala. Um resultado-chave sem número nenhum não é acompanhável, e no fechamento vira discussão de opinião.
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