Como escolher um software de OKR: os 12 critérios que importam de verdade

Por Érico Rodrigues5 min de leitura
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O critério que mais decide não está em nenhuma lista de funcionalidades: é quantos segundos custa atualizar um número toda semana. Ferramenta de OKR não morre por falta de recurso, morre porque o custo de manter o dado atualizado é maior que a disciplina disponível. Depois disso vêm mais onze critérios, e o preço não é o segundo.

Os 12 critérios, em ordem de importância

#CritérioA pergunta que o testa
1Custo de atualizar o númeroQuantos cliques da tela inicial até gravar o valor da semana?
2Ligação com o trabalhoConsigo ver, de um resultado-chave, as tarefas que o movem?
3Histórico do indicadorVejo a curva das 13 semanas ou só o ponto de hoje?
4Entrada automática do dadoDá para puxar de planilha ou API, sem alguém digitar?
5Permissão por timeCada área vê a sua sem ver a folha da empresa inteira?
6Ritual embutidoA ferramenta puxa o check-in, ou ele depende de alguém lembrar?
7Tempo até o primeiro usoEm quanto tempo o primeiro número está na tela?
8Idioma e suporteQuem atende, em que língua e em que fuso?
9Previsibilidade de custoO preço muda com o câmbio, ou é o mesmo o ano inteiro?
10ExportaçãoConsigo levar meus dados embora, incluindo o histórico?
11Preço publicadoDescubro o custo sem passar por duas reuniões?
12Não misturar com bônusA ferramenta empurra meta individual atrelada a remuneração?
O peso não é igual, e a maioria das comparações ordena errado

Por que o critério 1 vem antes de tudo?

Porque o OKR não morre de falta de recurso, morre de atrito. Treze semanas, quatro resultados-chave, três pessoas: são cento e cinquenta e seis atualizações por trimestre. Se cada uma custa dois minutos de garimpo, são cinco horas de trabalho chato distribuído, e o time vai parar na quinta semana.

Na demonstração, o teste é literal: peça para o vendedor atualizar um número partindo da tela inicial e conte os cliques. Se forem mais de três, some isso multiplicado por cento e cinquenta.

Por que o critério 2 é o segundo?

Porque é o defeito que mata o método sem ninguém perceber. O resultado-chave mora na ferramenta de OKR e o trabalho mora no quadro de tarefas, e são dois mundos que nunca se tocam. Em janeiro isso não incomoda; em março o quadro está cheio e o OKR está parado em fevereiro.

O teste na demonstração: peça para abrir um resultado-chave e mostrar quais tarefas existem por causa dele. Se a resposta envolver "você pode colocar um link", a ligação é manual e vai depender de disciplina que ninguém tem em semana corrida.

As perguntas que a demonstração não responde sozinha

  1. Peça para ver a SUA reunião de segunda-feira, não o tour. Diga: "somos 14 pessoas, 3 times, mostre o check-in".
  2. Pergunte quanto tempo até o primeiro número na tela, contado a partir da assinatura.
  3. Pergunte quem preenche a base inicial. A resposta costuma ser você, e costuma ser subestimada.
  4. Pergunte o preço na primeira reunião. Se demorar duas conversas, isso também é informação.
  5. Pergunte como se exporta tudo, incluindo histórico. Se travar, considere isso na decisão.
  6. Leia as avaliações de duas e três estrelas em diretórios, antes das de cinco.

O critério 12 merece uma linha extra porque é sobre desenho, não sobre produto. Ferramenta que empurra meta individual atrelada a remuneração tende a fazer a empresa ligar OKR a bônus, e no trimestre seguinte todo mundo escreve resultado-chave que já sabe que vai bater. Se a sua ferramenta favorita faz isso, use com a disciplina de não usar aquele caminho.

Quando não comprar nada

Em dois casos, e vale dizer isso vindo de quem vende.

O primeiro é se este é o seu primeiro ciclo. Aprender o método e trocar de ferramenta ao mesmo tempo faz a empresa confundir os dois, e quando algo der errado ninguém vai saber se o problema era o OKR ou o software. Rode um trimestre em planilha, erre o que tiver de errar no texto dos resultados-chave, e só então compare ferramentas.

O segundo é se a liderança discorda sobre o rumo. Nenhuma ferramenta resolve divergência de estratégia; ela apenas torna a divergência mais visível, o que às vezes é útil e nunca é o que se comprou.

Perguntas frequentes

Vale usar uma ferramenta que faz OKR entre outras coisas?
Vale quando a outra coisa é a dor principal e o OKR é secundário. O cuidado é a rotina: uma suíte de trabalho puxa a atualização de tarefa, não o check-in de resultado. Possível e natural são coisas diferentes, e a rotina da empresa acaba seguindo o que a ferramenta torna fácil.
Preço publicado importa mesmo?
Importa por dois motivos práticos. Encurta o ciclo de avaliação, porque você descarta o que não cabe sem gastar duas reuniões. E preço negociado costuma favorecer quem compra volume, o que desfavorece empresa pequena. Não é critério decisivo, é economia de tempo real.
Quantas ferramentas devo avaliar?
Três é suficiente, e mais que cinco costuma piorar a decisão. Depois da terceira demonstração as funcionalidades se embaralham e a escolha passa a ser por quem apresentou melhor. Defina os critérios antes de marcar a primeira reunião, e preencha a tabela durante cada uma.
E se a empresa já tem ferramenta e ela não pegou?
Antes de trocar, teste os critérios 1 e 2 na ferramenta atual. Na maioria das vezes que vi isso, o problema não era o produto: era o check-in semanal não estar acontecendo, e nenhuma ferramenta nova conserta uma reunião que ninguém marca.

Eu vendo um destes, e os critérios servem contra mim

Eu construo o Orzon, então tenho interesse nesta decisão. Os critérios deste texto servem para avaliar qualquer ferramenta, e vários deles são áreas em que a nossa perde para outras. O último critério é uma recomendação de não comprar.

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