OKR para projetos: 22 exemplos, e por que projeto não é OKR

Por Érico Rodrigues6 min de leitura
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Projeto e OKR não são a mesma coisa e confundir os dois é o erro mais comum de quem vem de gestão de projetos. Projeto é um conjunto de entregas com começo, meio e fim; OKR é a mudança que se espera que essas entregas causem. "Implantar o ERP" é projeto; "reduzir o fechamento contábil de 18 para 6 dias" é resultado-chave.

Qual a diferença entre projeto e OKR?

A diferença é de natureza, não de tamanho. Um projeto é definido por escopo, prazo e recurso: ele termina quando as entregas ficam prontas. Um OKR é definido por uma mudança medida: ele termina quando o número chega, ou quando o trimestre acaba.

A consequência prática é que os dois podem discordar, e discordar é informação. Um projeto entregue integralmente com o número parado significa que a aposta estava errada, e é melhor descobrir isso em março do que continuar investindo em julho.

Projeto (o que se entrega)Resultado-chave (o que muda)
Implantar o ERPReduzir o fechamento contábil de 18 para 6 dias úteis
Reformar a lojaElevar o ticket médio de R$ 89 para R$ 128
Migrar a arquiteturaReduzir o tempo de resposta do p95 de 1,9s para 400ms
Criar o programa de indicaçãoElevar de 2 para 8 as indicações fechadas por mês
Certificar a operaçãoReduzir de 9 para 2 as não conformidades por auditoria
Os dois lados da mesma iniciativa

Se ao preencher a coluna da direita você travar, o projeto merece uma conversa antes de começar. Nem todo projeto precisa de resultado-chave (obrigação legal, por exemplo), mas um projeto grande cujo efeito ninguém sabe nomear costuma ser um projeto que alguém quis, não que a empresa precisava.

22 exemplos de resultado-chave em gestão de projetos

Previsibilidade de entrega

Os números são ilustrativos e servem para mostrar a forma. Troque cada um pelo seu, e comece pelo desvio de prazo dos seus últimos dez projetos: ele costuma ser maior do que a memória da equipe registra, e é dele que sai a meta honesta.

  • Elevar de 44% para 80% os projetos entregues dentro do prazo repactuado até 31/12
  • Reduzir o desvio médio de prazo de 41% para 15%
  • Reduzir o desvio médio de orçamento de 28% para 10%
  • Elevar de 30% para 90% os projetos com marco de meio de caminho definido e cumprido
  • Reduzir de 22% para 5% os projetos que passam mais de 30 dias sem atualização de status
  • Elevar de 12% para 60% os projetos com estimativa revisada após a primeira entrega

Capacidade e foco

  • Reduzir de 19 para 8 os projetos ativos simultâneos
  • Reduzir de 4,2 para 1,8 a média de projetos por pessoa alocada
  • Elevar de 38% para 70% a capacidade do time comprometida com projetos priorizados
  • Reduzir de 31% para 12% o tempo gasto em projetos cancelados antes da entrega
  • Elevar de 0 para 100% os projetos novos com capacidade conferida antes de aprovar

Qualidade e efeito

  • Elevar de 20% para 75% os projetos com resultado-chave de negócio associado
  • Elevar de 0 para 12 os projetos com avaliação de resultado 90 dias após a entrega
  • Reduzir de 34% para 10% as entregas que voltam para retrabalho em até 30 dias
  • Elevar de 5,8 para 8,5 a nota de satisfação do solicitante ao fim do projeto
  • Elevar de 3 para 10 os projetos encerrados com lições aprendidas registradas e lidas

Processo e visibilidade

  • Elevar de 41% para 95% os projetos com responsável único formalmente definido
  • Reduzir de 6 para 1 as fontes onde se consulta o status de um projeto
  • Reduzir de 9 para 2 dias o tempo entre a solicitação e a decisão de aprovar ou recusar
  • Elevar de 12% para 70% os riscos identificados que ganharam plano de resposta
  • Reduzir de 14 para 4 as horas semanais que a liderança gasta pedindo status

Por que reduzir o número de projetos ativos é um bom resultado-chave?

Porque é quase sempre o gargalo real, e quase nunca a coisa que se propõe. A resposta natural de uma empresa que entrega devagar é pedir mais produtividade. A resposta que funciona costuma ser fazer menos coisas ao mesmo tempo.

Dezenove projetos ativos com dez pessoas significa que quase todo projeto tem alguém trabalhando nele em fração de tempo, com troca de contexto constante. Reduzir para oito não diminui a capacidade da empresa: aumenta a velocidade com que cada coisa termina, e por isso o total entregue no ano sobe.

Esse é um dos poucos resultados-chave que melhora dois indicadores ao mesmo tempo sem contrapartida: prazo e satisfação sobem juntos quando o número de frentes cai. A dificuldade não é técnica, é política, porque cortar projeto significa dizer não para alguém que já contava com ele.

Como ligar projeto a resultado sem burocracia?

Com um campo, não com um processo. Todo projeto aprovado declara qual resultado-chave ele move, escolhido de uma lista curta que já existe. Se nenhum serve, o projeto entra numa categoria explícita de obrigação ou manutenção, o que também é uma resposta legítima.

O ganho aparece no meio do ciclo, e é o único momento em que a empresa costuma ter coragem de cancelar. Quando o resultado-chave está travado e o projeto associado está no prazo, a pergunta certa deixa de ser "como aceleramos o projeto" e passa a ser "essa aposta ainda faz sentido".

Perguntas frequentes

Escritório de projetos deve ter OKR próprio?
Deve, e ele é sobre previsibilidade e capacidade, não sobre volume entregue. Um PMO com resultado-chave de "entregar mais projetos" tende a aprovar tudo e piorar o gargalo. Um PMO com resultado-chave de desvio de prazo e de projetos simultâneos passa a defender a fila, que é a função dele.
Marco de projeto pode ser resultado-chave?
Pode, com parcimônia e quando o projeto é longo e crítico. O risco é o de sempre: marco é entrega, e um trimestre inteiro de resultados-chave de marco é um roadmap com outro nome. Uma regra prática que funciona é no máximo um marco entre os três a cinco resultados-chave.
E projetos que duram mais de um trimestre?
O projeto atravessa ciclos, o resultado-chave não precisa. O que funciona é escolher a fatia de efeito que já se move neste trimestre. Se nenhuma fatia se move em três meses, isso é uma informação importante sobre o projeto, e vale discuti-la antes de inventar um resultado-chave artificial.
OKR substitui a gestão de projetos?
Não, e as duas coisas resolvem problemas diferentes. Gestão de projetos cuida de escopo, prazo, risco e recurso; OKR cuida de prioridade e efeito. Empresas que trocam uma pela outra costumam perder a parte operacional (cronograma, dependência, alocação) e descobrir a falta em dois meses.
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