Planejamento estratégico, tático e operacional: onde o OKR entra em cada um

Por Érico Rodrigues4 min de leitura
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Estratégico decide o rumo de 1 a 5 anos e é da liderança; tático decide as prioridades do trimestre e é dos times; operacional decide o trabalho da semana e é de cada pessoa. O OKR mora no tático: ele traduz a estratégia em prioridade trimestral e a liga ao operacional. Ele não substitui nenhum dos outros dois.

Os três níveis, lado a lado

NívelPerguntaHorizonteQuem decideFormato típico
EstratégicoPara onde a empresa vai, e por quê?1 a 5 anosSócios e diretoriaPlano anual, OGSM, mapa estratégico
TáticoO que atacamos nos próximos 3 meses?TrimestreLiderança e timesOKR
OperacionalO que eu faço nesta semana?Semana e diaCada pessoaQuadro de tarefas, cronograma, POP
Cada um responde uma pergunta diferente

A coluna do horizonte é a que mais explica os erros de uso. Um instrumento de trimestre usado para decidir cinco anos produz miopia; um instrumento de cinco anos usado para decidir a semana produz paralisia.

Onde o OKR entra, e onde ele não entra

O OKR é tático por construção: ciclo de três meses, revisão semanal, poucas prioridades. Ele faz duas coisas que só a camada tática faz.

  1. Traduz a estratégia em algo perseguível agora. "Ser referência no Sul" vira "elevar de 40 para 220 clínicas atendidas".
  2. Liga a prioridade ao trabalho de verdade. O resultado-chave aponta para tarefas que alguém faz na segunda.

O que ele NÃO faz: decidir o rumo. O OKR pressupõe que alguém já escolheu para onde a empresa vai. Quando essa escolha não existe, os objetivos trimestrais ficam arbitrários, e o time sente isso mesmo sem conseguir nomear.

O sinal de que o OKR está sendo usado como estratégia: os objetivos mudam completamente a cada trimestre, sem relação uns com os outros. Quatro trimestres desconectados não são um ano de execução, são quatro tentativas independentes.

A falha mais comum: o tático não existe

Na maioria das empresas de porte médio, o estratégico existe (um plano, mesmo que velho) e o operacional existe (todo mundo trabalha). O que falta é a camada do meio, e o sintoma é conhecido: o plano é impecável, a operação está cheia, e ninguém consegue ligar uma coisa à outra.

FaltaSintoma
EstratégicoA empresa executa bem coisas que não levam a lugar nenhum
TáticoO plano vira PDF e a operação vira inércia. É o caso mais comum
OperacionalTodo mundo sabe a prioridade e nada acontece na prática
O que acontece quando falta cada camada

A linha do meio é a que este blog inteiro trata, e vale explicar por quê: sem tático, o salto entre "vamos ser referência no Sul" e "hoje eu ligo para três clínicas" precisa ser feito por cada pessoa, sozinha, todo dia. Algumas fazem bem, a maioria faz pela inércia do que já fazia.

Como os três se conversam na prática

  1. O estratégico é revisto uma vez por ano, em setembro ou outubro, e ajustado no meio do ano.
  2. O tático é definido a cada trimestre, olhando o estratégico, e revisado na semana 6.
  3. O operacional é decidido pela pessoa, toda semana, olhando o tático.
  4. A prova de que os três conversam: qualquer pessoa consegue explicar por que a tarefa de hoje existe.

O passo 4 é o teste completo do sistema, e ele é rápido de aplicar: pergunte a alguém, numa quarta-feira, por que está fazendo o que está fazendo. Se a resposta subir dois níveis sem tropeço, as três camadas existem e se falam.

Perguntas frequentes

Empresa pequena precisa dos três níveis?
Precisa das três perguntas, não dos três documentos. Com dez pessoas, o estratégico pode ser três frases combinadas entre os sócios, o tático um objetivo com três resultados-chave, e o operacional o quadro de tarefas. São meia página no total, e as três perguntas continuam respondidas.
O que é planejamento tático, exatamente?
É a tradução da estratégia em prioridades de médio prazo, com recursos alocados e responsáveis definidos. Historicamente ele era anual e por área; o OKR é uma forma moderna dele, com ciclo mais curto e revisão frequente, que é o que o torna útil quando o mercado muda no meio do caminho.
Posso pular o estratégico e começar pelo OKR?
Pode, e funciona por um ou dois ciclos, porque o rumo implícito da liderança preenche a lacuna. O problema aparece no terceiro trimestre, quando fica claro que cada ciclo perseguiu algo diferente e o ano não somou. Aí vale parar e escrever a estratégia, mesmo que em três frases.
Quem participa de cada nível?
Estratégico é da liderança, com informação vinda de toda a empresa. Tático é da liderança com cada time respondendo como contribui. Operacional é de cada pessoa, com o gestor removendo obstáculo. Inverter isso, com a liderança decidindo o operacional, é a forma mais rápida de virar gargalo.
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