Escritório de contabilidade: metas de equipe num negócio movido a prazo legal

Por Érico Rodrigues5 min de leitura
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Num escritório contábil, o calendário fiscal já define metade do trabalho, e por isso a meta não deve ser sobre entregar no prazo, que é obrigação. Ela deve ser sobre o que sobra depois disso: retrabalho por retificação, tempo por rotina, honorário por cliente e retenção de carteira.

Por que prazo legal não é meta

Porque ele é obrigatório, e o escritório já entrega. Definir "entregar 100% das obrigações no prazo" como resultado-chave produz uma meta que já está batida no dia que foi escrita, e o time percebe isso na primeira semana.

Onde há espaço de melhora é no COMO: quantas horas custou entregar, quantas retificações foram necessárias, quanto do mês foi consumido por cliente que paga pouco. Essas são perguntas de gestão, e elas cabem num trimestre.

IndicadorO que revelaQuem move
Retificações por competênciaRetrabalho e riscoEquipe fiscal e o cliente que envia o dado
Tempo médio por rotinaOnde a automação compensaCoordenação
Documento recebido do cliente no prazoA causa raiz de metade dos atrasosAtendimento
Honorário por clienteSe a carteira acompanhou a complexidadeSócios
Horas por clienteQuais contratos dão prejuízoCoordenação
Churn de carteiraPerda de relacionamento longoAtendimento
Os indicadores de um escritório contábil

O cruzamento entre honorário por cliente e horas por cliente é o achado mais comum e mais desconfortável do setor. Quase todo escritório tem clientes antigos, com honorário congelado, que consomem três vezes mais horas que clientes novos que pagam o dobro.

A retificação é o vazamento invisível

Ela não aparece em lugar nenhum: a obrigação foi entregue, o cliente foi atendido, e o trabalho foi feito duas vezes. O custo está em hora de equipe que já era escassa no fechamento.

E as causas se repetem: documento recebido incompleto, mudança de informação depois do envio, erro de classificação, e mudança de regra que ninguém acompanhou. Classificar o motivo por um trimestre costuma mostrar que duas causas respondem por mais da metade, e as duas são resolvíveis por processo com o cliente.

Metas para o que sobra depois da obrigação legal

  • Reduzir as retificações de 41 para 12 por competência até 31/03
  • Elevar de 52% para 85% os clientes que enviam a documentação até o dia 5
  • Reduzir o tempo médio da rotina de folha de 3h10 para 1h20 por cliente
  • Elevar o honorário médio dos 20 clientes mais antigos em 22%
  • Reduzir de 14% para 4% os clientes cuja hora consumida supera o honorário
  • Reduzir o churn anual de carteira de 11% para 5%

Troque cada número pelo seu. E se o escritório não conta retificações hoje, contá-las por uma competência é o exercício de melhor retorno da lista: o total costuma surpreender, e as causas se repetem em duas ou três.

A meta que depende do cliente

Metade dos indicadores de um escritório contábil depende de comportamento do cliente: documento no prazo, informação completa, resposta a pendência. Isso é frequentemente usado como motivo para não medir, e é justamente por isso que vale medir.

Um escritório que sabe quais dez clientes atrasam a documentação todo mês tem uma conversa concreta a ter com eles, e uma base para renegociar honorário. Sem o número, a conversa é sobre impressão, e ela não acontece.

Perguntas frequentes

Como cobrar do cliente sem estragar a relação?
Mostrando o dado sem julgamento. "Nos últimos seis meses recebemos sua documentação em média no dia 18" é um fato, e ele costuma surpreender o cliente, que não tem essa visão. A conversa que se segue tende a ser sobre como resolver, não sobre de quem é a culpa.
Vale ter meta por colaborador?
Meta de volume, não: ela empurra para pressa em trabalho que exige conferência. O que funciona é meta de equipe em retificação e tempo por rotina, porque atacar essas duas melhora o trabalho de quem executa em vez de pressioná-lo.
Reajustar honorário antigo não faz perder cliente?
Faz perder alguns, e o cálculo relevante é qual deles. Um cliente que consome três vezes mais horas que o honorário paga é um cliente que subsidia a saída dos outros. A conversa com dado de horas na mão costuma resultar em ajuste, não em perda, porque o cliente também não tinha essa visão.
Automação resolve o retrabalho?
Resolve a parte de digitação e classificação repetitiva, que costuma ser metade. A outra metade é documento incompleto e mudança de informação, que é problema de processo com o cliente e nenhum software resolve sozinho.

Por que três meses, e como isso se chama

O que está descrito acima, escolher poucos números, dar um dono a cada um, dizer de onde ele sai e aonde precisa chegar, e olhar toda semana, é o método que se chama OKR. O nome importa pouco para quem toca o escritório no dia a dia. Ele importa se você quiser procurar mais material, ou explicar para a equipe por que três meses e não um ano.

E a resposta sobre o trimestre é prática, não teórica: três meses é longo o bastante para mover um número de verdade e curto o bastante para o time ainda lembrar o que combinou. Um ano vira carta de intenções; um mês vira lista de tarefas com nome bonito. Se o próximo passo for implantar, o cronograma de 30 dias tem o que fazer em cada semana.

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